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Maior parte dos jovens no mundo não tem acesso à Educação, mostra relatório da ONU
Publicado em 19.11.2014 17:03:44

Nunca o mundo teve tantos jovens. Um levantamento inédito do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), mostra que eles são 1,8 bilhão de pessoas. Engrenagem do futuro global, contudo, parte dessa juventude está praticamente condenada. Conforme o relatório, 60% dessa parcela não tem acesso à educação e, consequentemente, ao mercado de trabalho. Pior: mais de 500 milhões lutam para viver com menos de US$ 2 por dia, abaixo da linha de pobreza considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking de países com maior número de jovens, 51 milhões. As primeiras posições são ocupadas por Índia (356 milhões) e China (269 milhões). Os entraves educacionais e culturais vividos pela juventude atual têm um “profundo efeito”, segundo o relatório, no futuro global. Com os investimentos certos, esses jovens podem representar uma oportunidade ímpar para “um crescimento econômico rápido e estabilidade”.

A pesquisa aponta a educação de qualidade como a maior prioridade – tanto para países ricos quanto para países pobres – em uma agenda de desenvolvimento mundial para os próximos 15 anos. Outras iniciativas estratégicas são necessárias, aponta o relatório, para que esses jovens se tornem adultos em um mundo com melhores indicadores econômicos e sociais: saúde, educação social, empoderamento feminino, e “uma vida livre de violência e discriminação” são alguns dos fatores citados.

O fundo considera que países como o Brasil e o México têm dado passos importantes nesse sentido por meio dos programas de transferência de renda. As experiências nos dois países têm dado credibilidade a esse tipo de iniciativa, à medida que a transferência de renda tem o poder de “alterar uma variedade de comportamentos” como, por exemplo, a redução do casamento e gravidez na adolescência.

Nos países em desenvolvimento, uma em três garotas se casa antes dos 18 anos, “ameaçando sua saúde, educação e futuro”. Esse tipo de comportamento tem impacto direto na economia. Um estudo do Banco Mundial mostra que a gravidez na adolescência, baseado na renda projetada para a mãe da criança, pode variar de um impacto de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) da China até 30% no crescimento anual de Uganda, na África.

Mudanças
Para o professor de economia da pobreza da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Flávio Comim, além de desperdiçar uma oportunidade de crescimento, caso os países não aproveitem o momento correto para dar voz à juventude, a situação atual dos jovens pode se transformar em uma bomba relógio. Caso persistam os indicadores atuais, cada vez mais restrição de mão de obra e profissionais de baixa qualidade estarão presentes no mercado. Além disso, há o risco do aumento do tráfico e da violência.

O especialista explicou que o desenvolvimento cognitivo das crianças se estabiliza aos 10 anos e a capacidade de falar uma língua estrangeira com grande facilidade diminui aos 12. O professor da UFRGS detalhou que o Brasil investe em programas nos quais o jovem estão no fim do processo de formação e a eficiência do gasto é baixo. “O que resolve é uma boa formação na educação básica.”

Com informações de Estado de Minas.

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